sábado, 18 de julho de 2015



Acuado pela Lava-Jato, presidente da Câmara age contra o governo

PMDB e líderes dos demais partidos da base governista manifestam apoio à presidente; aliados e oposição preveem que vai aumentar ainda mais o desgaste do Planalto com a Câmara

Depois de ser acusado de receber US$ 5 milhões de propina no escândalo investigado na Lava-Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, anunciou ontem seu rompimento com o governo Dilma, mas não obteve apoio. O PMDB, partido de Cunha e do vice Michel Temer, tratou como pessoal a decisão. Líderes dos demais partidos aliados também decidiram não seguir o presidente da Câmara. Ontem mesmo Cunha autorizou a instalação de quatro CPIs, sendo duas contrárias a interesses do Planalto. Na TV, ele fez balanço do primeiro semestre na Câmara, e houve protestos isolados em algumas cidades.


Na cúpula do Mercosul, a presidente Dilma Rousseff disse não haver mais espaço na região para "aventuras antidemocráticas”. Nicolás Maduro, da Venezuela, não foi ao almoço oficial para protestar por críticas feitas a seu país pelo presidente da Guiana, recebido por Dilma.


A crise levou ao fechamento de 111 mil postos de trabalho formais em junho, o pior índice desde 1992. No ano, foram 345 mil vagas cortadas. 

Presidente da Câmara também pede que deputado refaça pedido de impeachment de Dilma; governo diz esperar 'imparcialidade'

Horas depois de anunciar o rompimento com o governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deu início à série de retaliações contra o Planalto, acusado por ele de querer prejudicá-lo com a Operação Lava Jato. A resposta à denúncia de ter pedido US$ 5 milhões de propina veio com duas novas CPIs para tentar desgastar o governo: a do BNDES e a dos fundos de pensão. Cunha também mandou ofício ao deputado Jair Bolsonaro e a outros dez cidadãos para que refizessem pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. (...) À tarde, o PMDB divulgou nota na qual diz que Cunha expressou " posição pessoal". Parlamentares ligados ao governo ou contra a atuação de Eduardo Cunha defenderam ontem seu afastamento da presidência da Câmara.



O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais na Operação Lava Jato, divulgou nota na qual afirma que "não cabe ao Juízo silenciar testemunhas ou acusados na condução de processo". O comunicado foi uma resposta a críticas de Eduardo Cunha.


O mercado de trabalho formal fechou 111 mil vagas em junho. O resultado do Caged é o pior do mês desde 1992, início da série histórica. No semestre, foram 345 mil vagas fechadas. Já os acordos salariais firmados em junho tiveram perda média de 1% para a inflação.


Em discurso na 48a. Cúpula do Mercosul, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que "não há espaço para aventuras antidemocráticas" na América do Sul. 


O PMDB, porém, não aderiu a Cunha e afirmou que continuará aliado do governo. A oposição a Dilma também não se posicionou a seu favor. Aliados dizem haver risco de ele ficar isolado.

O Planalto disse esperar que a atitude de Cunha “não se reflita nas ações” da presidência da Câmara.

Cunha afirmou que sua posição não o levará a patrocinar o “fim da governabilidade”. Nos bastidores, no entanto, dá sinais de que pretende dar sequência a um possível pedido de impeachment contra Dilma.




Eduardo Cunha jurou de morte o projeto que garante a repatriação de quase R$30 bilhões ao erário. Também quer atrasar a tramitação da proposta de desoneração da folha salarial. Ambas são cruciais para o ajuste fiscal do governo federal.


A equipe do ministro Joaquim Levy (Fazenda) pretende intensificar a adoção de medidas, como a cobrança de dívidas e a venda de ativos, com as quais espera levantar ao menos R$ 50 bilhões para os cofres do Tesouro.


O rompimento, de fato, de Eduardo Cunha como governo abre para o Planalto um portal infernal imprevisível. Até aqui, ele manobrava entre estocadas e concessões ao governo, em oposição ao comportamento agressivo do chefe do Senado, Renan Calheiros. Agora, Dilma tem dois dos três próceres do PMDB contra si.




SÃO PAULO – Os brasileiros já pagaram R$ 1,1 trilhão apenas em impostos neste ano. A marca foi alcançada no sábado, segundo medição do “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo. No ano passado, o mesmo valor foi registrado em 30 de julho, o que aponta aumento da carga tributária no Brasil. A previsão da Associação Comercial é de que, no fim de 2015, o impostômetro bata recorde e ultrapasse R$ 2 trilhões.


BRASÍLIA – O funcionário do doleiro Alberto Youssef responsável por entregar dinheiro oriundo de propina a parlamentares revelou que os repasses chegavam a R$ 200 mil. Em acordo de delação premiada, Rafael Ângulo disse também que carregava o dinheiro dos subornos preso ao corpo, geralmente em meiões de futebol. As entregas eram em apartamentos em Brasília, nos endereços indicados pelos parlamentares beneficiados, porém havia casos onde o repasse acontecia em locais públicos como aeroportos e estacionamentos. Os depoimentos do delator ajudaram a Polícia Federal a cumprir, na última terça-feira (14), 53 mandados de busca e apreensão na casa de políticos. Ângulo citou ainda na delação nomes de diversos parlamentares com foro privilegiado, entre eles o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), para quem relatou ter entregue em mãos R$ 60 mil.








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